Tuesday, January 22, 2013

Por conta da casa

No sports bar que eu trabalhei o dono dizia o seguinte: a tip é de vocês, façam o que quiserem. Se o cliente foi rude e vocês quiserem ser rudes de volta, problema é de vocês. Acho que foi daí que eu fiquei meio abusadinha. Bom, pelo menos era melhor do que uma co-worker que eu tinha. Ela era pititica, uma bonequinha, mas se o cliente enchia o saco dela, passava perto da mesa, soltava pum e fazia cara de Monalisa. O dono se divertia com a gente. E algumas vezes (poucas, é verdade) ele até tomava as nossas dores. Certa vez essa senhora se sentou, pediu, recebeu o pedido, não gostou, devolveu, pediu outro, pediu mil outras coisas, cada hora uma coisa, reclamou, reclamou e reclamou. Era minha última mesa do dia (claro!), eu já não aguentava mais, até que a simpática senhora, ao invés de me chamar, começou a estalar os dedos. Eu só olhei pro dono e ele sentiu o drama. Eu disse: “Eu não vou lá!” E ele: “Não quer ir não vá, é a sua tip.” Eu passava, olhando pro outro lado, fingindo que nem era comigo, e ela estalava os malditos dedos. Uma hora o dono se irritou e foi andando em direção da mesa da muié. A senhora: “Com licença, o senhor é o gerente?” E ele: “Não minha senhora, eu sou o dono.” “A sua garçonete é muito petulante”, ela disse. E ele: “É mesmo? Por quê?” No que ela explica: “Porque eu estou aqui há horas chamando por ela e ela finge que não me vê.” E ele, dando o golpe de mestre: “Olha minha senhora, eu estou sentado ali naquela mesinha há horas e vi a senhora estalando os dedos, mas achei que era pra um cachorro na rua. Garçonete minha é tratada com respeito. Agora a senhora pode se retirar, por favor, sua refeição será por nossa conta.” Pena que ele virou um bebaço depois.

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