Monday, December 3, 2012

We don't have it

Logo que comecei no food business (hahaha) desenvolvi uma técnica que uso até hoje: quando o cliente pede algo que não entendo, pergunto duas vezes. Na terceira: “nós não temos”. A técnica é muito boa. Menos quando a mesa ao lado pede a mesma coisa só que de uma forma que eu entenda. O sotaque do negro americano é, muitas vezes, um tanto quanto difícil de entender. No primeiro mês atendendo mesas, um negro desses bem simpáticos, pede um “Arrrrooll Alrrrer”. Eu: “Desculpe, pode repetir?" Ele: "Arrrrooll Alrrrer”. Sem graça, eu: “ Perdão...”, no que ele repete, ainda com paciêcia: “Arrrrooll Alrrrer”. Eu, com cara de tonta: “Ah.... nós não temos”. Conformado, ele pede uma coca. Minutos depois, o casal da mesa ao lado pede um ice-tea e uma limonada. O negro, bem simpático: “Com licença, vocês tem ice-tea?” Eu, toda simpaticona também: sim, temos”. Ele emenda: “Vocês tem limonada?” Eu, toda feliz por estar entendendo: sim, também temos”. Aí ele dá a cartada final: “Então como vocês não tem “Arrrrooll Alrrrer?” Eu faço cara de Monalisa e peço “um minutinho faifavô”. Vou até o bar e pergunto se temos “Arrrrooll Alrrrer”. O bartender e outro garçon – que por ali passava – me olham com cara de “quê?!” e eu explico: “não entendi direito, sei que leva chá gelado e limonada. Eles caem na gargalhada: “ARNOLD PALMER!!” Pra quem não sabe, Arnold Palmer é uma bebida tão comum quanto coca-cola aqui. Batizada em homenagem a um jogador de baseball (se não me engano) que leva, nada mais, nada menos, do que metade ice-tea e metade limonada. Se eu fosse o negro... “We don´t have it my ass, young lady!”

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