Tuesday, October 23, 2012

O dia em que eu fui demitida

Ao longo dos meus 9 anos de EUA, só trabalhei em 7 restaurantes. Digo “só” porque conheço gente que tá aqui há dois anos e já passou por uns 10 trabalhos. Eu geralmente duro nos empregos, porque escolho onde me sinto ã vontade e porque sou uma boa funcionária. Desses 7 restaurantes, eu saí de 3 porque fecharam, de 2 porque tive uma oportunidade aparentemente melhor e de apenas 1 fui demitida. E é essa história que vou contar hoje. Eu trabalhava no chinês fazia mais de 2 anos. Não gostava muito de trabalhar lá. Clientes esnobes e a gente era exageradamente exigido pro pouco de gorjeta que fazíamos. Mas trabalho é trabalho, e confesso que estava um pouco acomodada naquela época. Gerente nenhum parava lá. Imagino que, se para nós, humildes servers, era um tormento, para eles deveria ser um inferno. Eis que entra esse Japonês, no maior estilo Yakuza. Ninguém gostava dele, mas comigo, pessoalmente, ele nunca tinha feito nada. Certa noite, o restaurante razoavelmente ocupado, minha co-worker oferece ajuda. Eu tinha tudo sob controle, mas sei que é ruim ficar parada, e como ela se ofereceu, pedi que levasse as bebidas da mesa 1 enquanto eu levava a conta de outra mesa. Dali um pouco ela volta toda séria, dizendo q o Japa gritou com ela porque ela estava me ajudando. Nisso vejo o próprio carregando as tais bebidas. Digo pra ele que eu mesma posso levar, no que ele responde com um GRITO: “Se você não dá conta do seu serviço, chame o gerente pra te ajudar”. Com toda a calma que me é peculiar (num primeiro momento) eu expliquei, já que ele era novo na bagaça, que ali a gente fazia team work. Que eu na verdade estava bem, mas que a menina tinha oferecido ajuda. Ele nem vira pra mim e solta um sonoro “SSSHHHHHH!!!!”. Eu, estupefata: “Excuse me?!” Ele: “ Shut up!” Eu olhei bem pra cima (ele era alto) e com meu dedinho apontadinho (eu sou abusadinha) disse: “Você pode falar assim com os seus amigos, com a sua família, mas não vai falar assim comigo!” Virei as costas e saí. Geralemente eu era cortada as 8h30m e como já era mais de 9h, fiz meu cash out e me fui. No outro dia liguei para pegar meu schedule e qual não foi a minha surpresa quando soube que meu nome não estava nele. Pensei: “Fui castigada”, e até aí tudo bem. Mas não, fui mandada embora por abandono de serviço. O mané afirmou que não tinha me cortado oficialmente e que eu saí andando. A gerente geral me pediu desculpas e disse que não havia muito o que podia fazer, porque eles eram uma corporação e blá-blá-blá. Eu agradeci e disse que não queria o emprego de volta. Que eu não queria mesmo trabalhar num lugar que não respeitava seus funcionários. Nunca assinei minha demissão. E fui muito mais feliz depois que saí de lá.

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