Wednesday, August 15, 2012

Tip não é esmola

Eu sou uma garçonete meio diferente das demais. Nós da classe não fazemos dinheiro com as horas. Elas são irrisórias. Nós ganhamos nosso pão com a tip. Aqui na Califórnia o mínimo desejado é 15% do valor da conta, a galera torce por 18%, e eu sou uma garçonete de 20% pra cima. Confio no meu taco e sou otimista. Só que eu digo que sou uma garçonete diferente porque não “me vendo” pela tip. Não puxo o saco de ninguém, o que eu puder fazer eu faço, independente do cliente. Claro que se o cliente é gente boa eu vou além. E se ele for um arrogante, dificilmente eu poderei ajudar. Mais uma vez, pela maneira como o cliente me pediu e não pelo quanto eu espero ganhar. Eu também sou do tipo que, se puder escolher, prefiro uma mesa que não me dê gorjeta do que uma que me encha o saco. O dia a dia já é tão difícil e cansativo, que prefiro uns dólares a menos no bolso do que uma dor de cabeça. Agora, que dói, dói, aquele tipo que te agradece horrores, te abraça e manda lembranças à família e no fim te deixou U$3 de uma conta de U$50. Eu prefiro acreditar que a pessoa não sabe do esquema, porque senão me sinto trouxa. No indiano rolava direto, a conta dava U$30,37 e o cara arredondava o cartão pra U$31. Na boa, eu prefiro que você não me dê tip, faz de conta que não sabia, mas dar centavos é humilhação. Tip não é esmola.

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